FAUNA VIVA

Mais de 27 mil animais silvestres de mais de 300 espécies foram resgatados durante a fase implantação da Usina Hidrelétrica Teles Pires

 

Os programas de proteção à fauna da Companhia Hidrelétrica Teles Pires (CHTP) estão ajudando a preservar milhares de espécies na Amazônia mato-grossense. Só no período de implantação da usina, entre os anos de 2011 e 2015, mais de 27 mil animais silvestres de mais de 300 espécies foram resgatados. As ações foram realizadas em atendimento ao Programa de Resgate e Salvamento Científico da Fauna Silvestre, do Projeto Básico Ambiental (PBA) da usina.

As atividades de resgate da fauna começaram juntamente com o início da construção da usina, ainda em 2011, com a estruturação do canteiro de obras, entre os municípios de Paranaíta (MT) e Jacareacanga (PA). O trabalho se intensificou durante a supressão da vegetação nas áreas de alagamento e seguiu até o final da implantação com o enchimento do reservatório em 2015.

Para atender os animais resgatados, foi montado no canteiro de obras da UHE Teles Pires o Centro de Triagem da Fauna Silvestre, equipado para tratamento e cirurgias de animais, além de recintos para reabilitação dos indivíduos. No local, os espécimes eram identificados, pesados, medidos e marcados antes de retornarem à natureza em áreas florestais preservadas e seguras, na mesma região de ocorrência da espécie.

Os animais sem condições de reabilitação no habitat natural ficavam em monitoramento temporário no centro de triagem enquanto aguardavam a emissão da autorização de transporte pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Em 2015, após a conclusão das atividades, sete animais (entre aves e macacos) foram destinados para o Zoológico da Cidade do Rio de Janeiro e para o Centro de Primatologia, também localizado no Rio de Janeiro.

No Programa de Monitoramento da Fauna Terrestre e Semiaquática, oito programas específicos têm o objetivo de inventariar a fauna da área de influência do empreendimento e avaliar possíveis impactos em suas populações, analisando os períodos anterior e posterior à implantação da Usina Hidrelétrica Teles Pires. Essas ações monitoram vários grupos da fauna silvestre, como: mamíferos terrestres e semiaquáticos, morcegos, aves, borboletas, caramujos, anfíbios e répteis.

Até o momento, o Programa já registrou em seu monitoramento 187 espécies de borboletas, 563 espécies de aves, 66 espécies de morcegos, 11 espécies de primatas, 23 espécies de pequenos mamíferos e 35 espécies de médios e grandes mamíferos, além das lontras e ariranhas.

Os especialistas conseguiram identificar algumas espécies de animais que ainda não tinham sido avistadas nessa região, como a cuíca de colete (Caluromysiopsir-rupta – foto abaixo), a serpente cobra da terra (Ninia hudsoni – espécie com poucos registros no Brasil – foto abaixo) e a falsa-coral (siphlophis worontzowi), quatro espécies de perereca de vidro (Tera-tohylamidas, Hyalinobatrachiumi aspidiensis, Cochranella adenocheira, Hyalinobatrachium carlesvilai) e o morcego andirá-açu (Vampyrum spectrum).

Várias espécies consideradas ameaçadas são registradas na área de estudo, mostrando a importância da conservação das florestas no perímetro de influência direta da usina. Os estudos têm sido conduzidos por biólogos e pesquisadores de várias universidades brasileiras, incluindo profissionais locais formados pela Universidade Estadual do Mato Grosso (Unemat), o que tem contribuído para a ampliação do conhecimento da fauna nessa região.